quarta-feira



                                                              A Origem do Mal
Até mais ou menos os seis anos de idade, toda criança crê que o mundo é maravilhoso e perfeito; seu pai é um herói; e sua mãe, a mais maravilhosa mulher em todo o mundo. Mais tarde, porém, com o desenvolvimento de sua razão e compreensão, ela verifica que aqui há sombras também. Ela recebe injustiças, experimenta a dor, e vê os efeitos da morte – tudo evidencia a existência do mal sobre a Terra.
Cada ser humano, seja ele maometano, hindu, cristão, agnóstico ou ateu, sabe que algo está errado no mundo. Existe alguma coisa, um espírito oculto nos homens, que induz a humanidade a cometer os mais terríveis crimes, destruindo assim os lares e derruindo os próprios fundamentos da sociedade. Trata-se de uma inteligência superior à nossa, que constantemente está combatendo a Deus e Sua justiça, e cujo nome, segundo as Escrituras, é diabo ou Satanás.
Faz alguns anos um automóvel andava numa rua muito transitada sem ninguém ao volante. Não obstante, ao chegar a uma esquina, parava em face do sinal vermelho, e prosseguia ao abrir-se o sinal, sem chocar com ninguém e nem com os outros carros. Ninguém pretenderá que o carro andava sozinho, e todos estão de acordo comigo que ele obedecia a um controle remoto. Em outras palavras, existia uma inteligência superior por trás dos bastidores que o impulsionava. Satanás opera da mesma maneira, e embora esteja oculto, pode ser reconhecida sua presença por seus atos.
Conta-se que certo bandoleiro que vivia com seu grupo nas montanhas da Itália era o terror dos habitantes do vale próximo. Em vista dos saques de que eram constantemente vítimas, viviam alerta, o que atrapalhava o desenvolvimento normal das atividades do bandoleiro. Então, para poder saquear os habitantes do vale com maior tranqüilidade, inventou o seguinte estratagema: Mandou que um de seus homens espalhasse por toda parte a notícia do assassinato do bandoleiro. O povo, pensando estar a salvo dos temidos assaltos, descuidou da vigilância, abandonando suas casas em dias de festa, dando assim oportunidade ao bandoleiro para que as saqueasse.
Satanás usou a mesma técnica com o fim de fazer à humanidade cair em suas malhas. Ele inventou a história de que “não existe.” Tanto é assim que muitas pessoas estão absolutamente convencidas de que Satanás não existe, pelo simples fato de jamais o terem visto em pessoa.
Ouvi certo senhor com quem conversei sobre este tema, dizer: “Satanás não existe, pois eu já tenho cinqüenta anos e nunca me encontrei com ele.” Respondi: “Sabe, meu amigo, por que nunca se encontrou com Satanás? Simplesmente porque sempre andou junto dele.”
Quando alguém toma a decisão de viver uma vida virtuosa e cristã, em harmonia com os preceitos da lei divina, não passará um só dia sem que tal pessoa se encontre com o diabo, pois a vida virtuosa constitui uma guerra constante e uma marcha contra o príncipe das trevas.
Satanás é um inimigo sobremodo astuto, cujas manhas variam de acordo com a pessoa que deseja fazer cair em suas milhas. Seu único propósito é afastar a humanidade de Deus, e para consegui-lo serve-se de diferentes ardis. Com alguns emprega a precaução, a outros induz a crer em falsas doutrinas, e ainda a outros torna-os indiferentes para com a religião, pondo-lhes no coração o amor aos prazeres e às ostentações mundanas; divide a igreja em seitas cujo número é quase impossível contar; semeia a dúvida e o desespero. Para enredar suas vítimas, não se detém diante de nada.

Satanás: Ser Real

Na primeira epístola de S. Pedro, capítulo 5 e verso 8, o apóstolo faz a seguinte advertência: “Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar”.
De acordo com este texto inspirado, Satanás é um ser real, tão real como um leão, com que é comparado. A palavra Satanás é de origem hebraica, e significa adversário. Este vocábulo aparece 19 vezes no Velho Testamento e 35 no Novo. O termo diabo é de origem grega, e significa acusador falso. É encontrado 54 vezes no Novo Testamento. Isto quer dizer que a existência de Satanás, ou diabo, é mencionada 89 vezes no Novo Testamento, além de outros adjetivos mais, como “príncipe deste mundo,” “príncipe das trevas deste século,” “potestade do ar,” etc.
Porém, quem é Satanás? Há quem opine que seja algo abstrato, uma influência desprovida de personalidade algo que poderíamos comparar com a corrente elétrica que se não vê, porém cujos efeitos são sentidos. Nada disto é verdade. Satanás tem personalidade, como a têm Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Não se trata do “diabo vermelho” da mitologia, que foi pintado por Fernando da Cruz no ano de 1620. Neste quadro se vê Satanás em meio do fogo eterno, armado de uma forquilha com que revolve suas vítimas que se estão assando, para que se dourem bem. A personalidade de Satanás é bem diferente; é real e perversa ao máximo, segundo o que lemos em:
S. João 8:44 – “Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira.”
Esta passagem inspirada nos diz claramente que Satanás tem personalidade, pois para que possa mentir e ser o primeiro homicida, é forçoso que se trate de um ser real e moralmente responsável.
No livro de S. Tiago 2:19, encontramos uma prova mais da personalidade dos demônios, cujo chefe é Satanás: “Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem — e tremem!”
Os demônios não constituem uma força impessoal, isto é, uma influência, como alguns pensam, mas são seres reais que têm medo de Deus e que tremem ao Seu augusto nome.
Em II Cor. 11:14, o apóstolo S. Paulo nos dá outra prova da personalidade do inimigo da humanidade: “Isto não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz.”
Satanás não poderia aparecer na forma de anjo, se não tivesse personalidade inteligente, atributo este só concedido a pessoas. O mesmo apóstolo dos gentios nos dá outra prova, ainda mais concludente, da personalidade de Satanás em:
II Tes. 2:8 e 9 – “então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda. Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira”
Aqui temos várias provas adicionais de que Satanás é um ser real capaz de operar milagres por meio de seres iníquos, e que demonstra seu poder realizando grandes prodígios e fazendo crer ao povo que os mesmos provêm de Deus. Esta e as demais anteriormente consideradas, são passagens que provam a personalidade de Satanás, que é poderosa, viva e real.

Quem Criou a Satanás?

Quem criou este ser extraordinário que é Satanás? De onde vem? Quem o criou? Vamos ver o que o Livro Sagrado revela sobre este assunto. Quando nosso Senhor Jesus esteve na Terra, disse:
(S. Luc. 10:18) “Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago.”
Esta declaração do Redentor indica que alguma vez Satanás esteve no Céu e que caiu dali. Vamos ver o que sucedeu com esta personagem no Céu, segundo se encontra registado em:
Apoc. 12:7-9 e 4 –  “Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos.” “A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou para a terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse”.
Desejo fazer notar que a morada original de Satanás estava no Céu, centro do Universo insondável, porém depois de sua rebelião aberta contra Deus, tanto ele como os anjos que o seguiram, foram lançados na Terra, e Cristo em pessoa os viu cair. É uma utopia procurar expulsar uma influência de algum lugar, já que se trata de coisa imaterial, intangível e impossível de suprimir, a menos que se suprima a própria fonte de onde provém. Mas como Satanás é um ser material, pôde ser expulso e lançado na Terra, como o foi. O Livro Sagrado atesta que Satanás foi expulso da morada do Eterno, porque concebeu ali o pecado segundo lemos em S. João 8:14, passo que comentamos faz alguns momentos.
Alguns estarão perguntando por que sendo Deus o autor da vida, foi criar Satanás. Todas as coisas do Universo, unicamente com exceção de Satanás, vieram à existência pela vontade divina. Deus criou a Lúcifer, o mais inteligente e poderoso de todos os seres criados, que mais se transformou por sua própria determinação e vontade em diabo e Satanás.
Vejamos as provas do Livro Santo:
(Isa. 14:12) – “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!”
É sem dúvida certo que Satanás está aqui na Terra, debilitando as nações, e como dizem os versos 16 e 17, transtornando reinos, pondo o mundo como deserto e assolando suas cidades. Esta é uma grande verdade que podemos contemplar com nossos próprios olhos. É Satanás que transtorna as nações e arruina o mundo.
Volvamos por um momento à palavra “Lúcifer.” Este vocábulo quer dizer “estrela da manhã.” Em outras palavras, Lúcifer era o anjo principal, como nos afirma o profetaEzequiel, no capítulo 28:13 e 14:
“Estavas no Éden, jardim de Deus; de todas as pedras preciosas te cobrias: o sárdio, o topázio, o diamante, o berilo, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo e a esmeralda; de ouro se te fizeram os engastes e os ornamentos; no dia em que foste criado, foram eles preparados. Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas.”
No Salmo 99, verso 1 temos a explicação da posição que ocupa um querubim: “Reina o SENHOR; tremam os povos. Ele está entronizado acima dos querubins; abale-se a terra.”
Os querubins pertencem à categoria mais elevada de anjos; são os assistentes do trono de Deus. O Criador não fez um Satanás, mas Lúcifer, querubim cobridor, perfeito, como tudo o que saiu de Suas mãos. Como então Lúcifer se transformou em diabo ou Satanás? O profeta Ezequiel nos dá um vislumbre do que sucedeu:
Ezequiel 28:15 – “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniqüidade em ti.”
Notemos estas duas declarações:
(1) “Perfeito eras em todos os teus caminhos, desde o dia em que foste criado.” Deus não cometeu erro algum na criação de Lúcifer; Ele o fez perfeito.
(2) “Até que se achou iniqüidade em ti.” Isto vale dizer que depois da criação de Lúcifer, encontrou-se maldade nele.
Analisemos agora uma das maldade que surgiram em seu coração:
(Versículo 17) – “Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor”
Já dissemos que Lúcifer se corrompeu por causa de sua formosura e sabedoria, e hoje se vale dos mesmos meios para apanhar a humanidade em suas malhas. Engana e corrompe as mulheres com o argumento da formosura, e aos homens, por meio da falsa ciência e aparente sabedoria.
O profeta Isaías, no capítulo 14:13 e14 de seu livro, nos revela que nasceu outra maldade mais no coração de Lúcifer, e que apressou sua queda das mansões celestiais:
“Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.”
Este ser, que foi coberto de tantas honras da parte de Deus, quis fazer-se semelhante a Ele e atribuir-se os atributos do próprio Criador, o único que tem vida inerente.
Certamente vocês perceberam nos versos que apresentamos, que Lúcifer sempre usava o pronome “eu” ou equivalente, o que revela egoísmo, egocentrismo, engrandecimento e suficiência próprios. Quando alguém se torna egocêntrico, pensa que tudo pode sem a ajuda de Deus, e se coloca no plano em que esteve Lúcifer quando se desviou da senda do bem.
Ninguém tem vida por si, nem pode conservá-la a menos que intervenha o Criador, dando-a e sustentando-a. Ninguém poderia ter roupas para se cobrir se Deus não fizesse nascer o algodão e a lã das ovelhas. Satanás, mero ser criado, quis apropriar-se dos atributos que pertencem única e exclusivamente ao Criador.

O Livre Arbítrio

Ora, alguém poderá dizer: Se Deus é perfeito, deve ter criado a Lúcifer também perfeito em todos os sentidos. Como pôde este corromper-se e perder sua primitiva perfeição? Por que Deus não o fez, bem como a todos os seres criados, de tal maneira que não pudessem rebelar-se contra Ele?
Estas são perguntas perfeitamente lógicas, e lhes direi que Deus poderia ter feito isso, mas neste caso o ser humano teria sido apenas um autômato, desprovido de personalidade própria e incapaz de compreender a sabedoria, beleza e perfeição do amor de Deus. O amor puro e espontâneo, para ser perfeito, exige o exercício do livre arbítrio. Por esta razão, e em Seu desejo de criar seres com os quais pudesse manter íntima comunhão, e que fossem capazes de compreender Seu amor por eles, Deus os dotou de livre arbítrio, isto é, conferiu-lhes o inestimável dom de seguir o bem ou o mal segundo quisessem escolher.
Ilustremos este ponto. Suponho que todos apreciam os beijos e as demonstrações de afeto de seus filhos não é certo? Porém suponhamos que Deus os houvesse criado com o instinto de dar beijos sem o livre arbítrio que os movesse a isto. Em tal caso seriam apenas uma espécie de autômatos, ou máquinas de beijar. Ora, que é que nós os pais apreciamos nos beijos de nossos filhos? É o sentir que nascem do mais profundo do coração; que são uma espécie de demonstração voluntária de seu amor por nós. Não é isto? Mas para que possamos encontrar prazer em tais beijos, é necessário que o mesmo não seja forçado, mas dado de maneira espontânea.
Usarei outro exemplo para ilustrar que o fato de Deus haver dotado os seres superiores da maravilhosa faculdade do livre arbítrio, deixou aberta a porta à possibilidade, se bem que necessária, de fazer mau uso deste dom.
Se víssemos um bêbado com os olhos injetados de sangue, as faces avermelhadas e o nariz arroxeado, com vestes desordenadas, não nos ocorrerá perguntar que espécie de mãe terá trazido ao mundo um ser semelhante, não é certo? Sim, pois sabemos que por mais baixo que haja podido cair um ser humano, ao nascer era uma criatura formosa e inocente. Sua mãe o criou para que fosse a alegria de sua vida; não o trouxe ao mundo para que se convertesse num bêbado inveterado. Porém à medida que esse menino foi crescendo, e fazendo mau uso do livre arbítrio com que Deus o dotou a fim de capacitá-lo a compreender e apreciar a bondade de sua mãe, rebelou-se contra os conselhos e ensinamentos desta, convertendo-se na antítese do que ela queria que fosse. A mãe não o converteu num ébrio. Ao contrário, fez tudo que estava em ser poder para impedir que o fosse. Mas o filho se fez alcoólatra deliberadamente, e portanto não se pode culpar a mãe pela queda do filho.
Da mesma maneira não podemos culpar a Deus por haver criado os seres superiores do Universo com o livre arbítrio, quando estes o usam com fim alheio ao propósito que tinha o Criador, que era a felicidade de todos os Seus filhos.
Para melhor esclarecer este ponto, relatarei o que sucedeu ao famoso pintor Leonardo da Vinci. Estava o artista pintando o seu famoso quadro “A Santa Ceia,” e por vários dias procurou alguém que pudesse posar para o rosto de Cristo. Finalmente numa catedral encontrou um jovem que fazia parte do coro, cujo rosto tinha uma expressão como a que tanto procurava. Chamava-se o jovem Pietro Bandinelli.
Depois de terminar o rosto de Cristo e de vários dos discípulos, o artista procurou encontrar alguém que servisse como modelo para o rosto de Judas Iscariotes. Durante vinte anos procurou em vão uma pessoa cuja expressão facial fosse a de um traidor e avaro, até que certo dia, ao caminhar pela rua, um homem lhe chamou fortemente a atenção. Havia em seu rosto tal expressão de astúcia, traição, falsidade, engano e desonra, como nunca antes havia visto em qualquer ser humano. Parecia Judas Iscariotes em pessoa. Para cúmulo, estava mal vestido e visivelmente sob a ação do álcool.
Da Vinci o convidou para que lhe servisse de modelo para rosto de Judas. Depois de vários dias de trabalho, o rosto de Judas podia ser visto na tela. Ao lhe pagar, o artista perguntou como se chamava, e o vagabundo respondeu: “Chamo-me Pietro Bandinelli. Faz vinte anos lhe servi de modelo para o rosto de Jesus.”
Isto, meus queridos ouvintes, ilustra admiravelmente o que pode fazer o mau uso do livre arbítrio. Quando Pietro Bandinelli era jovem, levava uma vida pura e em conseqüência, havia em seu rosto uma expressão bondosa, semelhante ao rosto de Cristo. Quando, porém, anos mais tarde, se entregou deliberadamente a uma vida de desregramento e pecado, a expressão de seu rosto mudou a tal ponto que só serviu para modelar um ladrão e traidor. Foi o mau uso do livre arbítrio o que operou esta mudança na expressão do rosto de Pietro Bandinelli.
Alguém poderá perguntar-se que razões terá tido Lúcifer para transformar-se de querubim cobridor em Satanás. Não há razão alguma que justifique o pecado que é mau uso do livre arbítrio. Pode haver uma desculpa para o pecado, mas nenhuma razão ou justificativa. Se alguém pudesse encontrar uma razão que explicasse a rebelião de Satanás contra Deus, seu ato deixaria de ser pecaminoso, e a culpa recairia sobre o Criador. Ninguém poderá descobrir e menos ainda compreender jamais a razão do mau uso do livre arbítrio.
Há no mundo muitas coisas que não compreendemos, de cuja existência não podemos contudo duvidar. Tomemos, por exemplo, o caso da eletricidade. Sabemos como produzi-la e até armazená-la, porém não podemos vê-la, apesar de termos evidências de sua existência. Por outro lado, aqui está o meu relógio. Em seu interior há uma corda que vibra e faz funcionar uma quantidade de engrenagens que marcam os segundos, os minutos e as horas. Pode alguém dizer-me a razão por que a corda vibra e faz funcionar o delicado mecanismo do relógio? Até hoje ninguém pôde dizer a razão disto. Sabemos que a corda vibra, porém não sabemos por que o faz. Assim sucede também com o mau uso do livre arbítrio. A rebelião não tem justificativa, porém podemos ver suas conseqüências a cada passo.
Deus continua concedendo o livre arbítrio até o dia de hoje, respeitando assim a vontade do homem que criou. Ele não nos obriga a uma obediência cega, mas Lhe agrada que O reconheçamos como Pai amante que só deseja o bem de Seus filhos. A prova desta afirmação se encontra em:
Jer. 21:8 – “Assim diz o SENHOR: Eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte.”
Por que Não foi Destruído Satanás quando se Rebelou Contra Deus?
Para que possamos compreender porque Deus não destruiu a Satanás quando o expulsou do Céu, devemos transportar-nos em imaginação ao momento em que Lúcifer se rebelou contra o Criador, exigindo para si os atributos que só pertencem a Cristo, o seu Criador.
Todos os seres celestiais gozavam de livre arbítrio e eram perfeitamente felizes no serviço do Senhor. Eles O adoravam e Lhe tributavam honra e reconhecimento por Sua bondade, e nunca lhes ocorrera que poderiam fazer mau uso daquela maravilhosa faculdade que é o livre arbítrio. As hostes angelicais haviam vivido pelos séculos sem fim em perfeita harmonia com o Criador e encontravam gozo em fazer Sua vontade. Não tinham idéia do que era pecado e tampouco sabiam o que era uma mentira.
Imaginemos por um momento esse ambiente de felicidade e pureza no qual Lúcifer de repente começou a proferir calúnias contra o Filho de Deus, tão só porque desejava usurpar Seu lugar no conselho da Trindade. Ele havia sido sempre honrado e respeitado pelos milhões que compunham as hostes angélicas, e todos os moradores do Céu consideravam-no fiel e verdadeiro. De repente, e para surpresa de todo o Universo, começou a acusar a Deus de tirano e ditador, que lhes negava a liberdade de ação a que todos tinham perfeito direito.
Ademais, Lúcifer declarou que Deus destruiria imediatamente a todo aquele que contrariasse Suas exigências. Como os anjos ignorassem o que fosse uma rebelião e uma mentira, milhões deles creram nas acusações de Lúcifer e se puseram do seu lado. Deus e Seu Filho lhes explicaram que um ser criado não poderia converter-se em Criador e fazer parte da Trindade, e procuraram persuadir bondosamente a Lúcifer a que voltasse de seus maus caminhos, pois o amavam. Porém, seu coração já estava tão endurecido pelo mau uso do livre arbítrio, que não conseguiram. Em sua rebelião ele se tornou cada vez mais audacioso, até que Jesus, esgotados todos os recursos de reconciliação, teve que pedir aos anjos partidários de Lúcifer que se pusessem abertamente do lado do seu chefe.
Segundo Apoc. 12:4, que consideramos no início de nossa palestra, uma terça parte das hostes angélicas se declarou partidária do inimigo de Deus. Assim teve início uma luta no Céu, e que foi crescendo até que chegou a um ponto em que Miguel (Cristo) e Seus anjos tiveram que expulsar aos rebeldes para preservação da paz e da harmonia nas cortes celestes. Os anjos que haviam permanecido fiéis ao Criador, sentiram-se penalizados pelo acontecido, e como é lógico não o podiam esquecer. Em suas mentes se agitava a pergunta: Quem terá finalmente razão ?
Se Deus houveste destruído a Satanás naquela mesma ocasião, e tinha poder para fazê-lo, os anjos fiéis ficariam em dúvida por toda a eternidade quanto à justiça e o amor de Deus, e continuariam a adorá-Lo só pelo temor de correr a mesma sorte se não obedecessem, e assim a felicidade do Céu teria se convertido em desdita e incompreensão. Na luta com Satanás, Deus não podia usar as armas daquele, ou seja a mentira, o ódio, a calúnia e a confusão. Deus é amor e perfeito sempre em todos os Seus atos, e só opera mediante os atributos dos valores permanentes da justiça, do amor e da verdade. Por esta razão o conselho da Divindade decidiu não proceder contra Satanás até que todo o Universo estivesse completamente convencido, ao observar a luta entre Cristo e ele, da inocência de Cristo e da incoercível maldade de Satanás.
Ilustrarei este pensamento: Nestes tempos de luta entre os patrões e os sindicatos de operários, os empregadores devem proceder com muita cautela, sobretudo quando se trata de despedir alguém do emprego. Suponhamos que o dono de uma importante casa comercial descubra que um de seus empregados lhe rouba semanalmente certa mercadoria que em seguida vende em proveito próprio. Se o patrão despedir o empregado infiel sem nenhuma consideração e sem dar oportunidade a que outros também possam observar sua má conduta, o mais provável é que os outros empregados da casa se declarem em greve, a fim de conseguir a reabilitação do empregado “inocente e falsamente acusado.”
Que faz, pois, o patrão inteligente numa situação como esta? Ao se dar conta de que é objeto de roubo por parte de algum de seus empregados, chama a dois ou três dos demais empregados para que vejam com os próprios olhos o procedimento do empregado infiel. Permite que este continue roubando por algum tempo mais, e quando tem testemunhas de sua má conduta, o despede sem lhe dar indenização alguma e com o beneplácito dos demais empregados. Desta maneira o patrão não terá que temer o desagrado dos empregados, mas terá a solidariedade de todos eles.
Isto é o que a Divindade também teve que fazer. Teve que deixar passar o tempo até que todo o Universo estivesse em condições de dar o seu veredito contra Satanás.

O Mundo – Laboratório do Universo

Quando Satanás e sua hoste de simpatizantes foram expulsos do Céu, procuraram “firmar os pés” em outra parte do Universo, a fim de dominá-la e arrebatá-la ao governo de Deus. Desgraçadamente foi nosso planeta o único que se deixou seduzir por eles.
Pelo que podemos inferir de certos passos bíblicos, parece que a rebelião de Lúcifer teve lugar na época da criação do mundo, e não seria nada estranho que sua atitude tenha-se devido, além de outras coisas, ao fato de não haver sido consultado sobre a criação de nosso planeta. Deus havia posto Adão e Eva como senhores do mundo e Satanás procurou convencê-los de que Deus era injusto, que tinha exigências desnecessárias, e assim os induziu a desobedecer ao Criador. Com este golpe astuto Satanás se constitui em príncipe deste mundo, e desde então todo o Universo está contemplando o conflito que se desenrola neste planeta entre Cristo e Satanás. É a luta entre o bem e o mal e tem a finalidade de demonstrar ante o Universo todo qual dos dois tinha razão.
Em outras palavras, nosso planeta, como o expressa S. Paulo em I Cor. 4:9, se converteu em “espetáculo para o mundo, os anjos e os homens.” Quando Jesus Cristo veio a este mundo há 2.000 anos, para redimi-lo com o Seu sacrifício, sabia que nem todos os habitantes do Universo estavam ainda convencidos de Sua inocência em Sua luta já milenária contra Satanás, porque Ele mesmo o disse, segundo se encontra em:
S. João 12:32 e 33 – “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer.”
S. Paulo, ao escrever no primeiro século de nossa era aos Colossenses sobre o significado da morte de Cristo na cruz, fez a seguinte declaração:
(Col. 1:20) – “E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.”
Este texto divinamente inspirado demonstra que quando as hostes do Universo viram como Satanás e seus anjos instigaram as autoridades e o povo para que crucificassem a Cristo, convenceram-se de que o tirano, o injusto e malvado que mata não era este, mas Satanás, o acusador.
A destruição de Satanás e seus seguidores será levada a cabo, como o temos visto ao considerar outra profecia, por Cristo mesmo. Não será isto um ato de vingança, mas uma demonstração de misericórdia para com Seus fiéis seguidores. Será um ato de justiça para com os santos, com o propósito de levar a paz e a felicidade ao Universo.

Por que Satanás Levou o Homem a Rebelar-se Contra Deus?

Muitas pessoas se perguntam por que se deleita Satanás em torturar os seres humanos, Há uma razão que o move a operar com tanta astúcia a fim de induzir os homens a pecar e rebelar-se contra a ordem divina: sabe que é um inimigo vencido; sabe que Deus é mais poderoso do que ele.
Depois de haver sido expulso do Céu, Satanás não pôde fazer nada para vingar-se da Divindade. A única oportunidade que se apresentou para que infligisse uma ferida direta, consistiu em instigar os homens a que torturassem Jesus e O cravassem no madeiro por ocasião do Seu primeiro advento. Mas não pôde reter a Cristo na tumba porque Jesus era Filho de Deus e tinha domínio sobre a morte. Portanto, a única forma em que Satanás pode causar tristeza a nosso Pai celestial e a Cristo, nosso Salvador, é fazer sofrer Seus filhos. Ilustrarei isto com um relato.
Faz alguns anos, na parte sul dos Estados Unidos, muitos dos montanheses conservavam rancores. Suponhamos que a família de um ferreiro houvesse declarado guerra de morte contra outra família que vivia próximo. O ferreiro era um homem dos mais fortes que havia em toda a região, ao passo que o chefe da outra família era um homem muito fraco de físico. Estivera enfermo durante vários anos, e não podia sequer fazer seu trabalho. Num combate físico este homenzinho não teria tido a menor oportunidade de vencer o bem dotado ferreiro; assim procurou idear um plano que lhe permitisse suplantar o mais forte.
Uma noite, quando o homenzinho ia caminhando pela rua, perto da casa do ferreiro, viu uma menina que se dirigia para ele. Quando ela se aproximou, ele viu que era uma filha do ferreiro. Suja mente forjou um terrível plano que imediatamente executou. Apanhou a meninazinha, quando passou a seu lado, e a feriu dos pés à cabeça. Lançou a seguir ao mato que havia ao lado do caminho, deixando-a morrer ali, e fugiu do lugar. Ao final do dia de trabalho, o ferreiro se encaminhou para sua casa. Ao aproximar-se do lugar onde se dera o crime, ouviu gemidos. Dirigiu-se ao lugar, e encontrou sua filhinha ensangüentada e quase morta. Tomou-a nos braços e lhe perguntou o que havia acontecido. Tudo que ela pôde dizer foi o nome do homem que a ferira, e morreu nos braços do pai. O ferreiro sofreu a agonia com sua filhinha. O ato praticado por seu inimigo era o pior que poderia ter feito.
Assim opera também Satanás. Desde a ascensão de Jesus ao Céu, não Lhe pôde vingar-se dEle diretamente. Por isto, concentra agora seus esforços na pessoa de Seus escolhidos. Sabe que o amor do Criador por Seus filhos é ainda maior, mais nobre e mais puro que o da própria mãe pelos seus queridos. Sabe também que cada vez que damos ouvidos a suas insinuações para quebrar a lei de Deus, fazemos sofrer o grande coração de Jesus. Satanás sabe que está perdido e que em breve será destruído, e por isso quer arrastar consigo o maior número possível de seres humanos, pois a miséria busca companhia.

Conclusão

Meus queridos amigos, não cedamos à tentação. Não nos esqueçamos que ao fazê-lo, além de acarretar tristeza sobre nós mesmos, com cada rebelião fazemos sofrer o coração do amante Jesus.
S. Paulo escreve: (I Cor. 15:57) “Mas agradeçamos a Deus, que nos dá a vitória por meio do nosso Senhor Jesus Cristo!”
Apegando-nos a Sua promessa e pedindo Sua ajuda, poderemos ser vencedores. Mas não nos esqueçamos de que Satanás é muito astuto. Ele não diz: “Bom dia, senhora. Sou Satanás e venho para fazê-la cair em pecado durante o dia de hoje.” Tampouco diz: “Boa noite, senhor. Sou Satanás, e venho para fazê-lo cair em imoralidade e injustiça.” Não! Satanás é muito inteligente. É o comerciante por excelência. Cria o desejo e logo supre a mercadoria. Devemos portanto cuidar muito para não cair em suas astúcias.
Somos seres livres e moralmente responsáveis. Deus nos dá a oportunidade de escolher entre o bem e o mal mediante o exercício do livre arbítrio. Nos criou segundo Sua divina semelhança, o que nos permite pensar e agir livremente e também nos faz responsáveis por nossos atos. Não nos dotou do livre arbítrio para que dele fizéssemos mau uso. E embora o mundo se tenha rebelado, ainda existe o livre arbítrio. Lemos em:
Deut. 30:19 – “Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência”
Deus não quer forçar nossa vontade. Deixa a escolha a nosso critério. Escolhamos, pois, ser livres: livres do pecado e da injustiça que só nos traz dor, remorso e morte eterna!
O relato a seguir ilustrará a bênção da liberdade das conseqüências do pecado, que é a transgressão dos Dez Mandamentos da lei de Deus.
Certo dia um homem caminhava pelos arredores de Boston, quando se encontrou com um menino que trazia uma gaiola cheia de toda espécie de pássaros da região. Perguntou-lhe :
– Menino, onde você buscou tantos pássaros?
– Eu os apanhei. – O que você vai fazer com eles?
– Vou brincar com eles.
– E depois de você se cansar de brincar com eles, que vai fazer?
– Dá-los ao gato para que os coma.
– Oh – disse o cavalheiro – gostaria de comprar-lhe os pássaros.
– Senhor, para que os quer? Não cantam. Não servem para nada.
Os passarinhos estavam quietinhos na gaiola. Não moviam sequer uma pena. Só esperavam o martírio.
– Quero comprá-los assim mesmo – disse o homem. Quanto você quer por eles?
– Dê-me dez dólares pelos pássaros e a gaiola.
O homem deu o dinheiro, tomou a gaiola e foi embora. O menino, curioso, seguia-o para ver o que ia fazer com os pássaros. O cavalheiro chegou a um determinado lugar e abriu a porta da gaiola Nem um pássaro se moveu. Não perceberam que estavam livres. Com cuidado bateu nos lados da gaiola, e os pássaros saíram um a um e se puseram a voar. O protagonista deste relato, ao comentar o fato mais tarde, disse: “Deu-me grande prazer ver voar um pássaro após outro para a liberdade. Parecia que com o bater das asas, diziam: ‘Livres! Estamos Livres da morte!'”
Amigos, Satanás nos tem engaiolado; somos prisioneiros na gaiola do pecado. Faz 2.000 anos, Cristo deixou o Céu e veio à Terra para abrir a porta da gaiola do pecado. Veio dar liberdade aos que estavam presos. A porta está aberta hoje. Por que não fugir do pecado e ser livres com Cristo? Por que permanecermos na gaiola do pecado se Cristo abriu a porta? Respondamos ao chamado de Jesus. Usemos nosso livre arbítrio para o bem e não para o mal. Apartemo-nos de todo pecado, e sejamos vencedores pela fé em nosso amado Mestre.
Pr. Walter Schubert

terça-feira




A INSPIRAÇÃO DIVINA DA BÍBLIA (1ª prova)
Pois bem, Deus, para falar a sua Palavra através dos escritores da Bíblia, inspirou neles o seu Espírito! Portanto, inspiração divina é a influência sobrenatural do Espírito Santo como um sopro, sobre os escritores da Bíblia, capacitando-os a receber e transmitir a mensagem divina sem mistura de erro. A própria Bíblia reivindica a si a inspiração de Deus, pois a expressão "Assim diz o Senhor", como carimbo de autenticidade divina, ocorre mais de 2.600 vezes nos seus 66 livros; isso além de outras expressões equivalentes. Foi o Espírito de Deus quem falou através dos escritores. (Ver 2 Crônicas 20.14; 24.20; Ezequiel 11.5). Deus mesmo dá testemunho da sua Palavra. (Ver Salmo 78.1; Isaías 51.15,16; Zacarias 7.9,12). Os escritores, por sua vez, evidenciam ter inspiração divina. (Ver 2 Reis 17.13; Neemias 9.30; Mateus 2.15; Atos 1.16; 3.21; 1 Coríntios 2.13; 14.37; Hebreus 1.1; 2 Pedro 3.2.).
A PERFEITA HARMONIA E UNIDADE DA BÍBLIA (2ª prova)
A existência da Bíblia até os nossos dias só pode ser explicada como um milagre. Há nela 66 livros, escritos por cerca de 40 escritores, cobrindo um período de 16 séculos. Esses homens, na maior parte dos casos, não se conheceram. Viveram em lugares distantes de três continentes, escrevendo em duas línguas principais. Devido a estas circunstâncias, em muitos casos, os autores nada sabiam sobre o que já havia sido escrito. Muitas vezes um escritor iniciava um assunto e, séculos depois, um outro completava-o, com tanta riqueza de detalhes, que somente um livro vindo de Deus podia ser assim. Uma obra humana, em tais
circunstâncias, seria uma babel indecifrável!
 A APROVAÇÃO DA BÍBLIA POR JESUS (3ª Prova)
Inúmeras pessoas sabem quem é Jesus; crêem que Ele fez milagres; crêem em sua ressurreição e ascenção, mas... não crêem na Bíblia! Essas pessoas precisam conhecer a atitude e a posição de Jesus quanto à Bíblia. Ele leu-a (Lc 4.16-20); ensinou-a (Lc 24.27); chamou-a "A Palavra de Deus" (Mc 7.13); e cumpriu-a (Lc 24.44). A última referência citada (Lc 24.44) é muito maravilhosa, porque aí Jesus põe sua aprovação em todas as Escrituras do Antigo Testamento, pois Lei, Salmos e Profetas eram as três divisões da Bíblia nos dias do Novo Testamento. Jesus também afirmou que as Escrituras são a verdade (Jo 17.17). Viveu e procedeu de conformidade com elas (Lc 18.31). Declarou que o escritor Davi falou pelo Espírito Santo (Mc 12.35,36). No deserto, ao derrotar o grande inimigo, fê-lo com a Palavra de Deus (Dt 6.13,16; 8.3).
Nota - O título "Sagradas Escrituras" ou "Escrituras" pode vir no plural ou singular, porém sempre com letra maiúscula. Exemplos no plural: Mateus 21.42; Lucas 24.32; João 5.39. No singular: João 7.38,42; 19.36,37; 20.9; Atos 8.32. No singular e com minúscula refere-se a uma passagem particular: Marcos 12.10; Lucas 4.21; Atos 1.16 -(todas no ARC: a ARA põe tudo em maiúsculas). "Sagradas Escrituras", ou "A Sagrada Escritura", é o nome sagrado da revelação divina, assim como "Testamento" é o seu nome de compromisso, e "Bíblia", seu nome como livro. O leitor poderá dizer: - "Tratamos do Antigo Testamento, e, do Novo?" - Bem, quanto ao Novo Testamento, em João 14.26, o Senhor Jesus, antecipadamente, pôs o selo de sua aprovação divina ao declarar: "O Espírito Santo... vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito". Assim sendo, o que os apóstolos ensinaram e escreveram não foi a recordação deles mesmos, mas, a do Espírito Santo. No mesmo Evangelho, capítulo 16.13,14, o Senhor disse ainda que o Espírito Santo os guiaria em "toda a verdade"; portanto, no NT temos a essência da revelação divina. No versículo 12 do citado capítulo, Jesus mostrou que seu ensino aqui foi parcial, devido à fraqueza dos discípulos, mas ao mesmo tempo declarou que o ensino deles, sob a ação do Espírito Santo, seria completo e abrangeria toda a esfera da verdade divina. Diante de tudo que acabamos de dizer, quem aceita a autoridade de Cristo, aceita também as Escrituras como de origem divina, tendo em vista o testemunho que delas dá o Senhor Jesus. - Quem pode apresentar argumentos?
O TESTEMUNHO DO ESPIRITO SANTO DENTRO DO CRENTE, QUANTO À BÍBLIA (4ª prova)
Em cada pessoa que aceita Jesus como Salvador, o Espírito Santo põe em sua alma a certeza quanto à autoridade da Bíblia. É uma coisa automática. Não é preciso ninguém ensinar isso. Quem de fato aceita Jesus, aceita também a Bíblia como a Palavra de Deus, sem argumentar. Em João 7.17, o Senhor Jesus mostra como podemos ter dentro de nós o testemunho do Espírito Santo quanto à autoria divina da Bíblia: "Se alguém quiser fazer a vontade de Deus..." Assim como o Espírito Santo testifica que nós, os crentes, somos filhos de Deus (Rm 8.16), testifica-nos também que a Bíblia é a mensagem de Deus para nós mesmos. Esse testemunho do Espírito Santo no interior do crente, no tocante às Escrituras, é superior a todos os argumentos humanos! É aqui que labora em erro a Igreja Romana, ao afirmar que, para se crer na origem divina da Bíblia é preciso decisão da referida igreja, como se a verdade de Deus dependesse da opinião de homens, como bem o disse o teólogo e reformador Calvino.
O CUMPRIMENTO FIEL DAS PROFECIAS DA BÍBLIA (5ª prova)
O Antigo Testamento é um livro de profecias (Mt 11.13). O Novo Testamento, em grande parte, também o é. Referimo-nos aqui, evidentemente às profecias no sentido preditivo. Há, no Antigo Testamento, duas classes dessas profecias: as literais, e as expressas por tipos e símbolos. Destas há inúmeras no Tabernáculo (Hb 10.1). Muitas profecias da Bíblia já se cumpriram no passado, em sentido parcial ou total; muitas outras cumprem-se em nossos dias, e muitas outras ainda se cumprirão no futuro. As profecias sobre o Messias, proferidas séculos antes de seu nascimento, cumpriram-se literalmente e com toda a precisão quanto a tempo, local e outros detalhes. Por exemplo: Gênesis 49.10; Salmo 22; Isaías 7.14; 53 (todo); Daniel 9.24-. 26; Miquéias 5.2; Zacarias 9.9 etc. Outro ponto saliente nas profecias bíblicas é o referente à nação israelita. A Bíblia prediz sua dispersão, seu retorno, sua restauração e seu progresso material e espiritual. Exemplos: Levítico 26.14,32,33; Deuteronômio 4.25-27; 28.15,64; Isaías 60.9; 61.6; 66.8; Jeremias 23.3; 30.3; Ezequiel 11.17; 36; 37. Em Ezequiel 37, está uma das mais claras profecias sobre o despertamento nacional e espiritual do povo israelita. O cumprimento dessas profecias está em marcha perante nossos olhos. Há inúmeros outros casos de famosas profecias bíblicas. Ciro, o monarca persa, Deus chamou-o pelo nome através do profeta Isaías, 150 anos antes do seu nascimento! (Is 44.28). Josias, rei de Judá, também foi chamado pelo nome 300 anos antes do seu nascimento. (Ver 1 Reis 13.2 com 2 Reis 23.15-18.) Os últimos quatro impérios mundiais -
Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma, são admiravelmente descritos muitos anos antes de eles surgirem no horizonte do cenário mundial. (Ver Daniel capítulo 2 e 7). Também, com uma precisão incrível, a história de toda a raça humana é descrita em forma profética (isto é, a história no sentido natural), em Gênesis 9.25-27. O cumprimento contínuo das profecias da Bíblia é uma prova de sua origem divina. O que Deus disse sucederá (Jr 1.12). Graças a Deus por tão sublime e glorioso Livro!
A INFLUÊNCIA BENÉFICA DA BÍBLIA NAS PESSOAS E NAÇÕES (6ª prova)
O mundo hoje é melhor devido à influência da Bíblia. Mesmo os próprios inimigos da Bíblia admitem que nenhum livro em toda história da humanidade teve tamanha influência para o bem; eles reconhecem o seu efeito sadio na civilização. Milhões de pessoas antes de conhecerem, amarem e obedecerem a este Livro, eram escravos do pecado, dos vícios, da idolatria, do medo, das superstições, da feitiçaria. Eram mundanas, vaidosas, iracundas, desconfiadas, etc. Mas, depois que abraçaram este Livro, foram por ele transformadas em criaturas salvas, alegres, libertas, felizes, santificadas. Abandonaram todo o mal em que antes viviam e tornaram-se boas pessoas para a família, para a sociedade e para a pátria. Mostrem-me, se for possível, outro livro com o poder de influenciar e transformar beneficamente, não só indivíduos, mas regiões e nações inteiras, conduzindo-os a Deus! Disse o grande comentador devocional da Bíblia, Dr. F. B. Meyer: "O melhor argumento em favor da Bíblia é o caráter que ela forma".
A BÍBLIA É SEMPRE NOVA E INESGOTÁVEL (7ª prova)
O tempo não afeta a Bíblia. É o livro mais antigo do mundo e ao mesmo tempo o mais moderno. Em mais de 20 séculos o homem não pôde melhorá-la... Se a Bíblia fosse de origem humana, é claro que em dois milênios, ela de há muito estaria desatualizada. Uma vez que o homem moderno se jacta de tanto saber, era de esperar que já tivesse produzido uma Bíblia melhor! Realmente isto é uma evidência da Bíblia como a Palavra de Deus! Tendo em vista o vasto progresso alcançado pelo homem, especialmente nos dois últimos
séculos, só podemos dizer que, se ele não produziu um livro melhor, para substituir a Bíblia, é porque não pôde. Muitos também reclamam por não ser estritamente científica a linguagem da Bíblia. Ora, a Bíblia trata primeiramente da redenção da humanidade. Além disso, termos científicos mudam ou ficam para trás, à medida que a ciência avança. Sempre temos termos novos na Ciência. A Bíblia nunca se torna um livro antigo, apesar de ser cheio de antigüidades. Ela é tão hodierna como o dia de amanhã. Sua mensagem milenar tanto satisfaz a criança como o ancião encanecido. A Bíblia pode ser lida vezes sem conta sem se poder encontrar suas profundezas e sem que o leitor perca por ela o interesse. - Acontece isso com os demais livros?! Quem já se cansou de ler Salmo 23; João 3.16; Romanos 12; 1 Coríntios 12? É que cada vez que lemos essas passagens (para não falar nas demais), descobrimos coisas que nunca tínhamos visto antes. Depois de quase 2.000 anos de escrito o último livro da Bíblia, a impressão que se tem é que a tinta do original está ainda secando... Até o fim dos tempos o velho e precioso Livro continuará a ser a resposta às indagações da humanidade a respeito de Deus e do homem. Nos seus milhares de anos de leitura, a Bíblia nunca foi esgotada por ninguém.
 A BÍBLIA É FAMILIAR A CADA POVO OU INDIVÍDUO EM QUALQUER LUGAR (8ª prova)
Através do mundo inteiro, qualquer crente, ao ler a Bíblia, recebe sua mensagem como se esta fora escrita diretamente para ele. Nenhum crente tem a Bíblia como livro alheio, estrangeiro, como acontece aos demais livros traduzidos. Todas as raças consideram a Bíblia como possessão sua. Por exemplo, ao lermos "O Peregrino" sabemos que ele é inglês; ao lermos "Em Seus passos que Faria Jesus?" sabemos que é norte-americano, porque seus autores são oriundos desses países. - É assim com a Bíblia? - Não! Nós a recebemos como "nossa". Isso acontece em qualquer país onde ela chega. Ninguém tem a Bíblia como livro "dos outros". Isto prova que ela procede de Deus - o Pai de todos! - Qual a pessoa que, ao ler o Salmo 23, acha que ele foi escrito para os judeus? Aos que vivemos no Brasil, a impressão que temos é que ele foi escrito diretamente para nós. A mesma coisa dirão os irmãos dos demais países. A mensagem da Bíblia é a mesma em todas as línguas. Nisto vemos que ela é diferente de todos os demais livros do mundo. Se fosse produto humano, não se ajustaria às línguas de todas as nações. Nenhum outro livro pode igualar-se à Bíblia nessa parte. É mais uma prova da sua origem divina.
A SUPERIORIDADE DA BÍBLIA EM RELAÇÃO AOS DEMAIS LIVROS, QUANTO À COMPOSIÇÃO (9ª prova)
É muito interessante comparar nalguns pontos os ensinos da Bíblia com os de Zoroastro, Buda, Confúcio, Sócrates, Sólon, Marco Aurélio e muitos outros autores pagãos. Os ensinos da Bíblia superam os desses homens em todos os pontos imagináveis. Só dois pontos vamos destacar dessa superioridade.

a. A Bíblia contém mais verdades que todos os demais livros juntos. Ajuntem, se possível, todos os melhores pensamentos de toda a literatura antiga e moderna; retirem o imprestável; ponham toda a verdade escolhida num volume, e verão que este jamais substituirá a Bíblia! Entretanto, a Bíblia não é um volume grande. Pode ser conduzida no bolso do paletó. Todavia, há mais verdades neste pequeno livro do que em todos os outros que o homem produziu em todos os séculos. - Como se pode explicar isso? - Há somente
uma resposta racional e judiciosa: este livro não veio do homem: veio de Deus!

b. A Bíblia só contém verdade. Se há mentiras, não são dela; apenas nela foram registradas. Ao passo que os demais livros contêm verdade misturada com mentira ou erro. Reconhecemos que há jóias preciosas nos livros dos homens, mas, é como disse certa vez Joseph Cook: "São jóias retiradas da lama!" Qualquer verdade encontrada em trabalhos humanos, seja do ponto de vista moral ou espiritual, acha-se em essência no velho Livro. Comparemos alguns dos melhores ensinos desses famosos homens, especialmente dos
decantados filósofos, com os da Bíblia. De fato, seus ensinos contêm jóias de real valor, mas, estas, quer saibam eles quer não, são jóias roubadas, e do Livro que eles ridicularizam! Poderíamos incluir aqui também a superioridade da Bíblia quanto aos demais livros, no que tange à sua preservação em meio a tantos ataques, em todos os tempos.
A IMPARCIALIDADE DA BÍBLIA (10ª prova)
Se a Bíblia fosse um livro originado do homem, ela não poria a descoberto as faltas e falhas dele. Os homens jamais teriam produzido um livro como a Bíblia, que só dá toda a glória a Deus e mostra a fraqueza do homem (Jó 14; 17.1; 27; SI 50.21,22; 51.5; 1 Co 1.19- 25). A Bíblia tanto diz que Davi era um homem segundo o coração de Deus (At 13.22), como também revela seus pecados, como vemos nos livros de Reis, Crônicas e Salmos. É também o caso da embriaguez de Noé, da dissimulação de Abraão, de Ló, da idolatria e luxúria de Salomão. Nada disto está escrito para nossa imitação, mas para nossa admoestação e para provar a imparcialidade da Bíblia. É ela o único livro assim. Só a Bíblia ensina que o homem está em condições físicas, mentais e morais decadentes e que, se deixado só, decairá cada vez mais. Os livros humanos ensinam o oposto. Dizem que há no homem uma "Força residente" que constantemente procura leválo. Este ensinamento é agradável ao homem, porque o homem adora crer que se está desenvolvendo às suas custas, apesar dos milhares de sepulturas que são acrescentadas diariamente aos cemitérios. O homem jamais escreveria um livro como a Bíblia, que põe em relevo as suas fraquezas e defeitos.


Conclusão sobre a origem da Bíblia

Deus é o único que pode ter sido o autor da Bíblia, porque:

a) Homens ímpios jamais iriam produzir um livro que sempre os está condenando.

b) Homens justos e piedosos jamais cometeriam o crime de escreverem um livro e depois fazerem o mundo crer que esse livro é obra de Deus.

c) Os judeus - guardiães da Bíblia, jamais poderiam ser os autores dela, pois ela sempre condena suas transgressões, pondo seus defeitos a descoberto. Também se eles tivessem podido mexer nela, teriam apagado todos esses males, idolatrias e rebeliões contra Deus, nela registrados.

O Selo de Deus e a Marca da Besta

A última noite do mundo

Mas antes que chegue aquele dia, é preciso passar a última noite deste mundo. Noite é sinônimo de escuridão, frio e, muitas vezes, medo. Mas o Sol do novo dia nasce depois que a noite escura passa.
Veja como o Apocalipse descreve este quadro: "Depois disto, vi quatro anjos em pé, nos quatro cantos da Terra, conservando seguros os quatro ventos da Terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem sobre árvore alguma." (Apocalipse 7:1).
Vento, em profecia, é símbolo de destruição e guerra, e a João é revelado, na visão, que este mundo está ameaçado de destruição. Há um cataclismo universal se aproximando. Mas João vê algo mais: "Vi outro anjo que subia do nascente do Sol, tendo o selo do Deus vivo, e clamou em  grande voz aos quatro anjos, aqueles aos quais fora dado fazer dano à terra e ao mar, dizendo: 'Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na fronte os servos de nosso Deus'." (Apocalipse 7:2 e 3).
Percebe? Antes dos quatro ventos destruidores soprarem sobre este mundo, é preciso que os servos de Deus sejam selados, ou seja, identificados, para serem poupados da fúria da Natureza que castigará este planeta sem medida. Como pode você saber se será selado como um servo de Deus ou não? É interessante notar que no Apocalipse achamos dois grupos de pessoas marcadas ou seladas. No capítulo 13, o poder religioso/político, simbolizado pela besta, faz que "a todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte". (Apocalipse 13:16). E no capítulo sete, os servos de Deus também são selados, na fronte, com o selo de Deus. 

 O selo de Deus e a marca da besta
Aqui surge de maneira natural a pergunta: "O que ou qual é a marca da besta e qual é o selo de Deus?" Veja que os que receberam o selo de Deus serão poupados da destruição, enquanto João diz que, "se alguém adora a besta e a sua imagem, e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus" (Apocalipse 14:9 e 10). Para saber o que é a marca da besta é preciso primeiro identificar qual é o selo de Deus. A marca da besta será o contrário.
 Selo geralmente é a identificação de uma pessoa. O selo compreende nome, atribuições, autoridade e caráter do seu dono. Por trás do selo de Deus estão Sua autoridade, Sua Lei e os princípios eternos do governo divino. Por trás da marca da besta você pode achar, também, a pretensa autoridade, os decretos, e os princípios enganadores do diabo. Por trás do selo de Deus está o desejo de salvar. Por trás da marca da besta encontra-se a vontade de destruir. Por trás da selo de Deus estão o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e por trás da marca da besta estão o dragão, a besta e o falso profeta.
O selo de Deus é colocado na vida dos que "lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro" (Apocalipse 7:14), enquanto a marca da besta é colocada na vida dos que adoram o poder que se atribui poderes divinos sem tê-los. Aqui está em jogo novamente a autoridade divina. Quem tem a última palavra? A quem se deve obedecer?

 Sábado: sinal divino
Se você for a Bíblia, achará a seguinte declaração: "Santificai os Meus sábados, pois servirão de sinal entre Mim e vós, para que saibais que Eu sou o Senhor, vosso Deus." (Ezequiel 20:20).
Você pode dizer: "Ah, esse verso estava se referindo ao povo de Israel." Mas não está não. Se você analisar sem preconceitos a Sagrada Escritura, descobrirá que, ao longo da história humana, Deus teve sempre Sua Igreja. Essa Igreja esteve sempre formada pelos filhos de Deus que queriam obedecer à autoridade divina.
Por outro lado, em todo momento, houve também homens que quiseram escolher seu próprio caminho, rejeitando a voz de Deus. Foi assim desde o início. Caim e Abel receberam a ordem de oferecer um cordeiro como sacrifício a Deus. Abel obedeceu à ordem, e Caim decidiu fazer algo diferente: levou o fruto da terra. Perceba que caim não foi contra Deus. Ele ofereceu o sacrifício, mas não o fez como Deus ordenou, porém, como ele achava que deveria ser. Isso é fundamental. No fim da História, os que receberão a marca da besta não estarão contra Deus. Eles pensarão que estão servindo a Deus. Só que não o farão como Deus pediu, e sim como eles acham que deve ser.
A partir daquele incidente entre Caim e Abel, podemos distinguir a Igreja fiel a Deus. Veja como a Bíblia a identifica, no início: "Vendo os filhos de Deus que as Filhas dos homens eram formosas..." (Gênesis 6:2). Você vê? Aqui Deus identifica Sua igreja como "os filhos de Deus". Sempre houve uma Igreja de Deus. Não havia estrutura organizada, mas havia uma Igreja de Deus formada por filhos dispostos a obedecer. Esse grupo de pessoas que estavam dispostas a ser fiéis a Deus e que acreditavam na salvação em Cristo, simbolizada no sacrifício do cordeiro, chegou com o tempo a ser o povo de Israel. Esse povo, além de ser a Igreja de Deus, foi também um país politicamente organizado: tinha o sumo-sacerdote, que era a autoridade espiritual, e o rei, que era a autoridade política.
A tendência de Israel ao crescer como nação foi a de corromper-se doutrinal e espiritualmente. Note como o profeta descreveu essa situação: "Porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à ganância, e tanto o profeta como o sacerdote usam de falsidade. Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: 'Paz, paz'; quando não há paz. Serão envergonhados, porque cometem abominação sem sentir por isso vergonha; nem sabem que coisa é envergonhar-se..." (Jeremias 6:13 a 15).
 No entanto, apesar da corrupção do povo e dos líderes religiosos, sempre existiu um remanescente fiel, que esteve disposto a obedecer a Deus. Esse era o verdadeiro povo de Deus; Sua verdadeira Igreja. A grande tragédia de Israel foi pensar que o fato de um dia ter sido chamado povo de Deus garantia-lhe esse estado para sempre. Eles esqueceram que o cordeiro, que era sacrificado diariamente como símbolo de Jesus, seria o único que garantiria sua condição de Igreja de Deus.
Jesus veio a este mundo. "Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam." (João 1:11). Jesus era o Messias Salvador. Ele era o verdadeiro Rei de Israel, mas o povo judeu gritou: "Não temos outro rei, senão César." A situação espiritual de Israel quando Jesus nasceu era calamitosa. Jesus, em pessoa, condenou a hipocrisia de seus líderes. Eram líderes aparentemente espirituais; reclamavam para si o direito de ser o povo de Deus, mas estavam longe de sê-lo.

 Igreja cristã: o Israel espiritual
 O erro do cristianismo está em pensar que Israel foi rejeitado por Deus e substituído pela Igreja cristã. Se você estudar conscienciosamente a Bíblia, verá que não é assim. Deus formou a Igreja cristã a partir de Israel e não em substituição a ele. Jesus escolheu o remanescente fiel. Aqueles que O aceitaram e O seguiram. A maioria O rejeitou como Messias, mas 12 decidiram segui-Lo e ser fiéis e obedientes a Deus. Esses 12 discípulos foram a base do que viria a ser a Igreja cristã.
A característica distintiva do cristianismo é aceitar a Jesus como Salvador e obedecer aos mandamentos de Deus. (Apocalipse 12:17; Apocalipse 14:12). E uma das chaves dessa obediência é o sábado como dia de repouso. Ezequiel diz que o sábado é o sinal, o selo, a identificação e a marca de Deus. Teria o sábado sido deixado só para Israel? Não, porque na criação, quando ainda não existia o povo de Israel, já fora estabelecido o sábado. O sábado era o sinal do povo de Deus.
Mas alguém pode dizer: "Israel já foi rejeitado e, junto com ele, o sábado." Isso não pode ser assim porque, em Apocalipse 7, João diz: "Então vi o número dos que foram selados, que era cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel." (Apocalipse 7:4). Você vê? O remanescente espiritual de Israel é o cristianismo. São os que aceitaram a Jesus como Salvador e, por isso, "lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro". E são também os que decidiram guardar os mandamentos de Deus, o que inclui a observância do sábado. É por isso que recebem o sinal de Deus na fronte.

 Obediência equivocada
 Mas agora vem o inimigo de Deus e tenta impor sua própria maneira de adorar e obedecer. O diabo é astuto. Se ele não conseguir levar você a negar a existência de Deus e rejeitá-Lo, levá-lo-á a obedecer-Lhe de maneira errada. No jardim do Éden, disse Deus: "Se tocares no fruto desta árvore, morrereis". Aí veio o diabo e disse: "Não morrereis."
No coração de Sua santa lei, Deus escreveu: "Lembra-te do dia do sábado para santificá-lo." E aí vem o inimigo e diz: "Não precisa ser sábado. Pode ser também o domingo." A Caim ele disse: "Não precisa ser um cordeiro, pode ser também o fruto da terra." Enfim, não é como Deus diz, pode ser como você achar melhor.
    • Mas aí está o perigo: em pensar que se está servindo a Deus quando não se está. Pensar que se está obedecendo, quando se está agindo contra a vontade de Deus.
Pegue a sua Bíblia. Seja sincero, e tome todo o tempo que você precisar para achar um único verso bíblico que diga que o sábado não é mais o dia de repouso e que foi substituído pelo domingo. Você não achará. Por que então as pessoas guardam o domingo? Existem argumentos. Alguns crêem que o fato de Jesus ter ressuscitado no domingo é autorização para começar a guardar esse dia. Entretanto, a Bíblia não diz isso.

 Domingo: sinal de autoridade humana
O mais dramático de tudo é fazer a seguinte pergunta: "Se o sábado é o sinal ou selo de Deus, qual é a marca da besta?" Lembre-se de que Apocalipse 13 fala de um poder religioso/político e também fala de um país poderoso que "seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta, dizendo aos que habitam sobre a terra que façam uma imagem à besta". (Apocalipse 13:14). Uma imagem é algo que representa. Quando você fala de verde-amarelo, vem à sua mente imediatamente o Brasil. Quando pensa em branco e azul, Argentina. Vermelho e branco, Peru. Isso porque são esses países que estão por trás dessas cores. Bom, qual é o poder que está por trás do domingo como dia de repouso?
Mais ainda: Apocalipse 13 continua dizendo que aquele poder faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, lhes seja dada certa marca sobre a mão direita e sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número de seu nome.
Isso é assustador. Aqui a profecia indica que chegará um momento na história deste mundo em que quem guardar o sábado não poderá comprar nem vender. Parece imaginação doentia? Pois então pergunte-se: Hoje, ainda em tempos de paz, todos os jovens que guardam o sábado têm o direito de fazer suas provas na universidade em outro dia? Todas as pessoas que guardam o sábado podem fazer concursos para cargos públicos? Todas as pessoas têm o direito de trabalhar no domingo em lugar do sábado? Não é um assunto de mania de perseguição. É algo profético. Está escrito com toda clareza na Bíblia.

 O último chamado à adoração
 Não é apenas uma questão de dias: sábado ou domingo. O pano de fundo é obediência e adoração. Os seres humanos parecem não perceber que o inimigo está conseguindo o que sempre se propôs.
Mas em Apocalipse 14 levanta-se um grupo de pessoas, simbolizadas pelo anjo, para proclamar em alta voz o evangelho eterno. É algo que não muda. Sempre foi assim: salvação em Cristo e obediência aos Seus mandamentos. Esse clamor é:
    • "Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora de Seu juízo; e adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas." (Apocalipse 14:7)
Compare esta passagem com o quarto mandamento, que ordena guardar o sábado; ali diz:
  • "Porque em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou, por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou." (Êxodo 20:11)
Coincidência? Parece-lhe coincidência que o último chamado que Deus faz à humanidade tenha quase as mesmas palavras que Ele pronunciou quando disse que o sábado era santo? Mas o último chamado diz mais:
    • "Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte, ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus." (Apocalipse 14:9 e 10). E acrescenta: "retirai-vos dela, povo Meu, para não serdes cúmplices em seus pecados, e para não participardes dos seus flagelos." (Apocalipse 18:4) - [Veja também em Próximos do Fim
Alejandro Bullón, O Terceiro Milênio e as Profecias do Apocalipse, 1.ª ed., 1998, pág. 105